são como a súplica da digestão do coração

são como crianças agitadas
de costas pesadas e bem aprumadas

são como velas quase a apagar
uma luz mais forte que a de qualquer luar

são como revistas mil vezes folheadas
as que sobram de entre todas as já rasgadas

são como a saudade dos marinheiros em alto mar
a que dói mais que o medo de naufragar

são como todas as moedas em anos amealhadas
avarezas do passado por nada já trocadas

são como cd's riscados de tanto girar
têm todas as músicas que de cor sabemos soletrar

são como mortalhas subtilmente desbocadas
falam de todas as outras que já foram fumadas

são como os balões que se escapam pelo céu a voar
impiedosos na coragem de por um bebé a chorar

são como tudo de todos os meus pequenos nadas
são como a inveja que o arco irís tem de todas as cores do luar
são como as bruxas más dos contos de fadas
são como a melhor de todas as camas sem almofadas
sem sol de manhã e sem bocas já beijadas

são como a dor de beber galões a escaldar
são como os desenhos das vacas malhadas
são como os loucos que acreditam que as psicoses podem estabilizar
são como todos os berlindes que não me deixaram guardar
são como todas as mentiras que não tardam a sufocar

as palavras...
...são como as palavras



...as palavras que me apetece vomitar.

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