palavras

às vezes quase que me venho com as palavras. elas iludem-me e aliviam-me. sensações de prazer imenso atordoam os meus sentidos e apago da memória o que vai para lá do tempo. afugentam a verdadeira essência da solidão e confortam-me debaixo das gotas que agora vão encharcando a rua. As luzes inspiram-me. meio desfocadas pela chuva guarnecem esse pudor. fragilidade amiga que não se separa de mim e me obriga a ceder à agilidade das minhas emoções. vagueio pela casa. bebo aquele whisky e fumo aquele cigarro. tudo parece escuro demais para acordar. é cedo demais para vomitar os parágrafos certos. tem sido sempre assim. o ponto final há muito que deveria ter sido colocado. por ansiedade ou medo sempre o neguei e agora que a história já terminou edito-a sem pontuação. ficou tudo errado. ainda não foi desta que me consagrei na autoria da minha vida.

2 comentários:

Anónimo disse...

bem este texto tem muito haver contigo, mas pelo que percebi tambem se refere a ele. o ponto final talvez há muito que deveria ter sido colocado mas agora também nao era a melhor altura, porque uma boa conversa nunca fez mal a ninguém!fugir para quê?mais tarde ou mais cedo vocês terão um momento em que estarão sozinhos e a conversa se irá dar, não puderas fugir, nem por um ponto final naquilo que ainda não acabou.
e já agora qual é a sensação de quase te vires om as palavras????lol

Beijox

paula disse...

ja te disse o que acho... so vim aqui escrever pq quero ter um comentario num dos melhores aglomerados de palavras de sempre! *